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Quinta-feira, 23 de maio de 2024

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ASSASSINATOS EM PEIXOTO

Juíza recebe aditamento a denúncia e autoriza filhos de vítimas como assistentes de acusação

Foto: Reprodução

Juíza recebe aditamento a denúncia e autoriza filhos de vítimas como assistentes de acusação
A juíza Paula Tathiana Pinheiro recebeu aditamento a denúncia e tornou o médico Bruno Gemilaki réu por homicídio qualificado, mesmo com sua defesa alegando que ele não sabia que sua mãe, Inês Gemilaki, tinha a intenção de cometer as execuções que chocaram o município de Peixoto de Azevedo, no dia 21 de abril. Inês buscava acertar as contas com o garimpeiro Enerci Afonso Lavall, mas acabou matando Pilso Pereira da Cruz e Rui Luiz Bogo, à luz do dia.


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Na mesma decisão, a magistrada autorizou que os dois filhos de Pilson Pereira da Silva e a filha de Rui Luiz Bogo ingressem no processo como assistentes de acusação, cujo objetivo é auxiliar o Ministério Público no caso.

No dia do crime, Bruno e Inês invadiram a casa particular do garimpeiro Erneci Afonso Lavall, alvo da fazendeira, localizada na rua Thiago Magalhães Nunes, bairro Alvorada. Imagens das câmeras de segurança da residência constataram que o filho acompanhou e deu suporte à sua mãe durante toda empreitada, portando uma espingarda calibre 12.

Embora tenha alegado não saber que Inês tinha intenção homicida, ele a acompanhou em todo momento e, em posse da arma longa, efetuou pelo menos quatro disparos. As marcas dos tiros foram localizadas na residência pela Polícia.

A constatação de que Bruno efetuou os tiros permitiu o promotor de Justiça Álvaro Padilha concluir, ao aditar a denúncia, que ele deverá responder pelos resultados da empreitada criminosa encabeçada pela sua mãe, na medida de sua respectiva colaboração.

O mesmo vale para Éder Gonçalves Rodrigues. Ele foi quem dirigiu o veículo e também apareceu com arma curta em punho, colaborando para o êxito das execuções.

“Sem maiores delongas, recebo o aditamento da denúncia Bruno Gemilaki Dal Poz, Éder Gonçalves Rodrigues e Inês Gemilaki, qualificados na inicial”, proferiu a magistrada.

O trio foi denunciado por homicídio, com a qualificadora do motivo fútil e recurso que dificultou a defesa das vítimas. Bruno está preso no Centro de Detenção Provisória de Peixoto, junto com Éder. Inês segue presa no Centro de Detenção Provisória de Colíder.

“Novas” motivações

Pedido de liberdade em nome de Bruno relata que sua mãe vinha sofrendo ameaças de morte, sequestro e estupro. O autor das ameaças seria Polaco. Bruno e Ines estão presos e foram denunciados por invadirem a casa de Polaco, matando Rui e Pilson.

Ines foi locatária de Polaco por 1 ano, até que a relação comercial entre eles se findou. Enerci procurou o Poder Judiciário na busca de reaver valores que supostamente fazia jus.
 
O Poder Judiciário, então, entendeu que não havia valores a serem pagos, julgando improcedente a pretensão indenizatória. Não obstante a declaração do Poder Judiciário, Ernerci passou a cobrar Inês pelos valores que, ainda assim, entendia devidos. Conforme defesa, as cobranças se intensificaram e passaram a ser feitas por cobradores, chegando às raias de ameaças.

Conforme defesa de Bruno, no dia 20 de abril de 2024, um dia antes dos fatos, a mando de Enerci, seis homens foram à casa de Ines Gemeliaki cobrar os valores referentes à ação indenizatória indeferida pelo Poder Judiciário.
 
Segundo advogado, Bruno sabia das constantes ameaças que sua mãe vinha sofrendo, inclusive já havia tentado explicar a Polaco sobre a sentença do Poder Judiciário e a necessidade de cessar as ameaças.
 
"Todas as tentativas foram sem sucesso, pois Enerci sempre ressaltava que a ‘justiça dele ele mesmo que faz’ destacando que ‘achava bom pagar’”, diz trecho de processo.
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