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Domingo, 14 de abril de 2024

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UNANIMIDADE

Marido e mais dois que simularam ritual para feminicídio de empresária são mantidos presos

Foto: Reprodução

Marido e mais dois que simularam ritual para feminicídio de empresária são mantidos presos
O Tribunal de Justiça manteve as prisões de Cláudio Valadares dos Santos e Márcio Andrade dos Santos pelo feminicídio de Indiana Geraldo Tardett, ocorrido em Lucas do Rio Verde, em 2021, além da sentença que os pronunciou ao julgamento pelo Tribunal do Júri. Cláudio era marido da vítima e é acusado de ser o suposto mandante da execução de Indiana. De acordo com a denúncia, o sacerdote de Candomblé, Márcio, responde por ter a atraído, com auxílio de Jocilene Batista Rodrigues, para um falso ritual.  Lá, ele desferiu os golpes de facão que culminaram na sua morte.

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Por unanimidade, os magistrados da Primeira Câmara Criminal seguiram o voto do relator, desembargador Paulo da Cunha, e negaram o pedido das defesas dos réus, que visava autorização para que eles pudessem responder o processo em liberdade.

Além disso, os magistrados rejeitaram as preliminares sustentadas pela defesa, quais sejam, acesso tardia às mídias das quebras de sigilo telefônico, quebra de cadeia de custódia, nulidade da decisão de pronúncia por excesso de linguagem e afastamento da qualificadora de feminicídio.

Presos desde o inquérito policial, os réus tiveram as respectivas detenções mantidas, prorrogadas e convertidas em preventiva, enquanto aguardam o julgamento do Júri.  

Conforme a denúncia, Cláudio e Indiana mantinham união estável desde 2016 e eram sócios em uma empresa no ramo de manutenção de aeronaves, em que ela era responsável pela parte financeira/gerencial e ele pela parte operacional.

Nos dias que antecederam os crimes, o casal, que já tinha um relacionamento conturbado e marcado por relacionamentos extraconjugais, iniciou processo de separação. Por considerar-se o único proprietário da empresa regida por ambos e único detentor de todos os direitos concernentes ao negócio, Cláudio queria se livrar a qualquer custo de sua companheira e, consequentemente, da própria divisão patrimonial entre eles.

Assim, ele entrou em contato com o sacerdote de candomblé Márcio, popularmente conhecido como “Pai Baiano”, que conhecia o casal havia alguns anos e prestava auxílio espiritual a eles, e confidenciou que o relacionamento estava insustentável, e que não só era preciso “desamarrar a relação”, mas sim “colocar Indiana no caldeirão do satanás”.

Márcio pediu auxílio a Jucilene, que também trabalhava com rituais de candomblé, para executar o crime. Eles foram até a casa da vítima entre os dias 30 e 31 de maio deste ano, com o pretexto de que a ajudariam a reatar o relacionamento.

Em um dos quartos da casa de Indiana, Márcio e Jucilene, com objetivo de esconder a real intensão de matá-la, iniciaram o falso ritual, a orientando que permanecesse de joelhos, em cima de um lençol branco. Neste momento, narra a denúncia, Márcio a golpeou na cabeça com um facão artesanal de mais de 1 quilo. Em seguida, atingiu seu pescoço e punho.

Visando levar a investigação e a Justiça a erro, Márcio e Jucilene, com o conhecimento de Cláudio, modificaram a cena do crime, cobrindo a vítima com um cobertor, além de deixar o facão em sua mão direita, com intuito de simular suicídio e, assim, se eximirem de responderem pelo assassinato.

Examinando o pedido para que pudessem responder em liberdade, Paulo da Cunha lembrou que o crime assustou a população de Lucas pelo falso ritual, além da tentativa de ludibriar as autoridades policiais e judiciárias alterando a cena do crime. Citou a aplicação da lei penal, a segurança da ordem pública, bem como a gravidade e violência que a execução foi cometida.

Por isso, da Cunha decidiu mantê-los detidos até julgamento em plenário. Seu voto foi seguido pelos demais magistrados da Câmara, em julgamento ocorrido no último dia 27.
 
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