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Segunda-feira, 24 de junho de 2024

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Operação Hermes

Grupo que movimentou R$ 5 bi com venda de mercúrio construiu fábrica na Bolívia e planejava novo ponto em VG ; veja vídeos

Foto: Reprodução

Grupo que movimentou R$ 5 bi com venda de mercúrio construiu fábrica na Bolívia e planejava novo ponto em VG ;    veja vídeos
Apontado como líder da organização criminosa que movimentou cerca de R$ 5 bilhões com o comércio internacional de mercúrio, o ex-vereador de Cuiabá Arnoldo Veggi, chamado de "Dodo Escobar", estaria com uma fábrica clandestina em funcionamento, instalada na Bolívia, para produzir o elemento químico usado em garimpos ilegais.  


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Vídeos, fotografias e áudios interceptados pela Polícia Federal no âmbito da Operação Hermes mostram a engenharia precária montada pelo grupo para dar funcionamento ao negócio ilegal.

Interceptação em conversa de Arnoldo com seu pai, Ali Veggi, demonstrou a intenção deles em instalar uma fábrica clandestina no Brasil, possivelmente em Várzea Grande.

“Na mesma oportunidade, Arnoldo envia as especificações do material necessário para produzir uma fábrica semelhante e também envia um orçamento feito no Brasil, na cidade de Várzea Grande/MT, no dia 23 de agosto de 2021, de parte do material necessário para a instalação da referida fábrica clandestina em território nacional ou na Bolívia. San Matias era o local onde estavam a construir a fábrica de mercúrio”, diz trecho do inquérito.

Vale lembrar que a estrutura da fábrica clandestina era precária e improvisada, sem as devidas condições para o manuseio seguro do mercúrio.

“ARNOLDO comercializava mercúrio há vários anos e que estava tentando produzir de forma artesanal, rudimentar e precária o produto utilizando-se do conhecimento de um sócio estrangeiro”. O estrangeiro citado é alguma pessoa não identificada do México, que dava as instruções ao grupo sobre como produzir o elemento.

Além da fabricação clandestina, o transporte e armazenamento do produto também era improvisado. A organização usava diversas formas de embalar o mercúrio, como por exemplo em embalagens de água mineral ou oxigenada, martelos, pesos de academia e frascos de shampoo.

“Ainda, o metal, apesar de sua alta toxicidade, era armazenado de forma totalmente irregular, em embalagens improvisadas como aquelas utilizadas para venda de água mineral de 500ml ou de água oxigenada no tamanho de 90ml. A inadequabilidade das embalagens fica evidente com a informação de que houve a quebra de uma delas com a consequente perda de parte do mercúrio”, diz outra parte do inquérito.

Os vídeos e imagens interceptadas constam em conversas entre Arnoldo e membros da organização. Todos eles foram enviados por ele próprio via WhatsApp.

Operação

A Polícia Federal e Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) deflagraram, na manhã desta quarta-feira, a Operação Hermes (Hg) II, com o objetivo de apurar e reprimir crimes contra o meio ambiente, especialmente por meio do comércio e uso ilegal de mercúrio, organização e associação criminosa, receptação, contrabando, falsidade documental e lavagem de dinheiro.

Os crimes em apuração estão relacionados ao contrabando e acobertamento de mercúrio, que tem por destino final o abastecimento de garimpos em áreas que compõem a Amazônia (Amazonas, Mato Grosso, Rondônia, Roraima e Pará).

A Operação Hermes (Hg) I, deflagrada em dezembro de 2022, foi a maior operação policial do país deflagrada para desarticulação de uso ilegal de mercúrio e iniciou-se a partir da investigação de uma empresa com sede em Paulínia, que utilizava criminosamente de suas atividades autorizadas para produzir créditos falsos de mercúrio em sistema do IBAMA.

A partir da análise de milhares de fontes bases (documentos e dispositivos eletrônicos), durante mais de dez meses, a Polícia Federal identificou uma extensa cadeia organizada de pessoas físicas e jurídicas envolvidas no esquema ilegal de comércio de mercúrio e ouro extraído de garimpos na Amazônia e retirou sete toneladas de créditos de mercúrio dos sistemas do IBAMA.
 
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