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Sábado, 20 de abril de 2024

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ACOBERTADO PELA FAMÍLIA

Juíza destaca que advogado não mostra força para largar as drogas e o mantém preso por tentar matar engenheira

Foto: Reprodução

Juíza destaca que advogado não mostra força para largar as drogas e o mantém preso por tentar matar engenheira
A juíza Ana Graziela Vaz Campos manteve a prisão do advogado Nauder Júnior Alves Andrade, detido na Penitenciária Major Eldo Sá Corrêa, em Rondonópolis, acusado de feminicídio tentado por motivo fútil e com recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Nauder foi preso no dia 18 de agosto suspeito de tentar matar sua namorada, a engenheira E.T.M., de 29 anos, usando uma barra de ferro.

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Nauder e a engenheira passaram por audiência de instrução e julgamento nesta segunda-feira (23) e a magistrada rechaçou o argumento da defesa de que ele não ofereceria mais risco. Antes da decisão Ministério Público se manifestou contra o pedido de revogação da prisão pleiteado pela defesa.

A defesa argumentou que E.T.M. teria dito não temer Nauder. No entanto, salientou a juíza que, na verdade, ela disse que ele é uma pessoa pacífica e tranquila quando está sóbrio. “Tenho receio caso ele volte a usar entorpecente”, disse a vítima na audiência.

Na sequência, ela foi questionada sobre o motivo de o advogado voltar a ter recaídas, uma vez que já foi internado em clínica de reabilitação interiormente. Em resposta, E.T.M. disse que acreditava ser por falta de força de vontade. Esse ponto foi destacado pela juíza, no sentido de que a falta de ímpeto em se livrar do vício aumenta o risco de a vítima sofrer novos episódios de violência.  

Outro ponto lembrado por Ana Graziela foi o fato de que a família do advogado menospreza a gravidade de seus atos. Segundo a decisão, os familiares de Nauder compareceram na audiência apenas para enaltece-lo como pessoa, em tentativa de diminuir a vítima, atribuindo a ela a pecha de ciumenta e descontrolada, como se ela tivesse merecido ser espancada por uma barra de ferro.

Conforme a magistrada, caso Nauder se mantenha em postura de se isentar pelos seus atos, além de contar com apoio da família para tal, será difícil que ele consiga se livrar da dependência das drogas e, desta forma, “continuará a ser ameaça a vítima, existindo assim o risco”, reforçou.

Ana Graziela ainda pontuou o abalo que o episódio causou à ordem pública, já que as pessoas que souberam e presenciaram o caso ficaram estarrecidas ao saberem que a engenheira foi cruelmente agredida com uma barra de ferro, por horas, por aquele que era seu companheiro há 12 anos.

De acordo com os depoimentos constantes nos autos, bem como os laudos periciais, E.T.M. só conseguiu sobreviver à sessão de espancamento graças à sua força e persistência para lutar por horas a fio, bem como porque conseguiu ter forças para arrebentar o portão da casa em que fora agredida. “Estando viva hoje para contar sua versão da história”, diz trecho da decisão.

Por fim, os índices alarmantes de feminicídio em Mato groso, que somente em 2023 já passam de 40, também foram destacados para negar o pedido de revogação, “não tendo a vítima entrado para essa estatística por providência divina e em razão de sua força e perseverança, tendo lutado por sua vida”, asseverou Ana Graziela.

Como a defesa de Nauder insistiu na oitiva de quatro testemunhas de defesa, a juíza designou nova audiência para o dia 6 de novembro, às 14h.

O crime

Nauder foi preso em flagrante no dia 18 de agosto, em Cuiabá. De acordo com a Polícia Civil, o agressor foi localizado em uma clínica de recuperação para dependentes químicos, localizada em Chapada dos Guimarães (67 km de Cuiabá).

A mulher agredida, engenheira de 29 anos, foi encontrada próximo à guarita de um condomínio residencial, no bairro Morada do Ouro. A Polícia Militar foi acionada e a encaminhou ao Plantão da Mulher 24h.

Durante o depoimento, a vítima relatou à delegada plantonista, Divina Martins, que estava em sua residência com o agressor, quando ele saiu do quarto para fazer uso de drogas e depois tentou manter relações sexuais forçadas com a mulher. Após a negativa dela, ele passou a agredi-la com socos e chutes, em meio a xingamentos.

A vítima tentou fugir do agressor, indo para outros cômodos da casa, no entanto, o suspeito a alcançou e continuou o espancamento, usando uma barra de ferro.

Quando ela conseguiu pegar a chave de casa e sair até a garagem, o agressor a encontrou e novamente lhe agrediu, jogando a vítima no chão e tentou matá-la. Durante as agressões, ela relatou ter perdido a consciência várias vezes.

Em determinado momento, o suspeito foi pegar a barra de ferro para continuar a atacá-la. Ela conseguiu escapar e foi pedir ajuda na portaria de um condomínio, nas proximidades de sua casa.
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