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Sábado, 20 de abril de 2024

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OPERAÇÃO CARTÃO-POSTAL

Alvo da PF em 2021, Cervejaria Cuyabana foi usada para comprar oxigênio de ambulâncias

Foto: Rogério Florentino - Olhar Direto

Alvo da PF em 2021, Cervejaria Cuyabana foi usada para comprar oxigênio de ambulâncias
Possivelmente adquirida com dinheiro proveniente de esquema que desviou recursos de Cuiabá para combater a Covid-19, a Cervejaria Cuyabana, do ex-secretário Célio Rodrigues também foi usada por ele no suposto esquema que teria lesado os cofres públicos da Saúde de Sinop. Em 2021, a sede da empresa foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal no âmbito da Operação Curare 2.

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Agora, o juiz João Bosco Soares, do Núcleo de Inquéritos Policiais, determinou a suspensão do exercício econômico e financeiro da cervejaria por suspeita de que ela, junto com a Hipermed Serviços Médicos e Hospitalares, HC Gestão em Informática Ltda, Castilho e Caldas Advogados Associados, teriam sido usadas para lavar os R$ 87 milhões calculados pelas investigações da Operação Cartão-Postal, deflagrada nesta quinta-feira (19). 

No esquema de pagamento de propina e desvio de dinheiro da Saúde de Sinop apurado na Cartão-Postal, deflagrada pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), foi apontado que empresas eram usadas para a lavagem de dinheiro. Dentre elas, a Cervejaria Cuyabana, que segundo o médico e delator do esquema, Luiz Vagner Silveira Golembiouski, teria sido usada para a compra de oxigênio pra abastecer ambulâncias da Hipermed, também de propriedade de Célio. 

“Ademais, Luiz alega que a Hipermed é de propriedade de Célio. Quanto a esse vínculo, há 05 boletos emitidos pela empresa Oxigênio Sinop, para que a Cuyabana Cervejaria Artesanal (empresa da esposa do Célio) realizasse os pagamentos. No entanto, esses boletos foram encaminhados para que a Med Clin pagasse. Segundo Luiz trata-se de boletos relacionados a compra de 'oxigênio pra abastecer ambulância', que, por sua vez, são ambulâncias da Hipermed”, diz trecho dos autos sigilosos que o Olhar Jurídico teve acesso. 

Conforme apontado pela autoridade policial, existem fortes suspeitas de que as empresas legalmente registradas estariam sendo utilizadas de maneira inadequada em relações com o setor público, além de serem usadas para ocultar a origem lícita dos recursos desviados pelo grupo criminoso.

Em outubro de 2021, a Polícia Federal deflagrou uma grande operação na região metropolitana de Cuiabá. A sede da Cervejaria Cuyabana, localizada no bairro 23 de setembro, em Várzea Grande, foi um dos alvos da ação referente a segunda edição da operação Curare. A suspeita era que a empresa teria sido adquirida proveniente de valores que foram desviados da Saúde de Cuiabá para o combate da Covid-19 sob liderança de Célio. 

Na ocasião, conforme o delegado de Polícia Federal Charles Cabral, responsável pelo inquérito, os pagamentos feitos e "quarterizados" pelas empresas envolvidas no esquema, superaram a ordem dos R$ 100 milhões.

O dinheiro do qual os alvos se apropriaram, seria destino ao combate à Covid-19. “Uma coisa que há prova, é de que as empresas prestavam serviços para o município de Cuiabá, em leitos de enfermaria e UTIs específicos da Covid-19. As provas reunidas demonstram que ao menos uma parte destes valores não chegou ao destino que se previa", disse o delegado.

Delação 

Médico e empresário, Luiz Vagner Silveira Golembiousk, dono da MedClin, delatou toda a atuação do grupo criminoso. Sua empresa foi contratada pelo Instituto de Gestão de Políticas Públicas (IGPP) para Prestação de serviços médicos em Sinop e, no começo do contrato, o combinado era de a empresa ofertar médicos para atendimento nas unidades de saúde do município ao valor mensal de R$ 1.311 milhão.

Logo no primeiro mês, foi feito o pagamento com o valor combinado, mas Hugo Florêncio de Castilho, responsável pela IGPP, pediu R$ 200 mil de retorno, depois o valor subiu para R$ 277 mil, que deveriam ser depositados em contas variadas em remessas de até R$ 50 mil para não levantar suspeitas.

Apesar de resistente, o delator pagou o solicitado por temer perder o contrato e já ter feito investimentos na cidade. Naquele mês, ele narra que o lucro da empresa foi de cerca de R$ 340 mil após pagar os médicos e impostos, sendo que R$ 277 mil foram para o grupo criminoso.

Cartão-Postal

Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor) apontou que há, desde junho de 2022, uma organização criminosa foi instalada na Saúde de Sinop.

A organização é bem estruturada, com clara hierarquia, divisão de tarefas entre os componentes e com “sofisticado esquema de atuação em conexão com o Poder Público Municipal”, aponta a Deccor.

O esquema consiste em fraudar as prestações dos serviços de saúde da cidade para ter lucro e realizar os repasses para os líderes do esquema. A organização social tem sido ajustada para continuar na prestação do serviço, sendo alterada várias vezes em sua composição, no mesmo período que disputava a dispensa de licitação para assumir as atividades entre maio e junho de 2022.

Foi apontado ainda que a mesma organização venceu novas dispensas ocorridas entre outubro e novembro de 2022 e abril e maio de 2023, dando continuidade aos trabalhos na cidade até a presente data.
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