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Sábado, 13 de abril de 2024

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LAGOA TREVISAN

Justiça remarca audiência sobre processo em que Ledur é acusada de tortura contra aluno

Foto: Reprodução

Justiça remarca audiência sobre processo em que Ledur é acusada de tortura contra aluno
O juiz Marcos Faleiros remarcou audiência de instrução e julgamento sobre ação que julga a tenente do Corpo de Bombeiros, Izadora Ledur, acusada de ter cometido crime de tortura durante treinamento contra o aluno Maurício Júnior dos Santos, em 2016. Inicialmente designada para o dia 26 de setembro, a data teve que ser alterada para o dia 24 de janeiro porque não foram expedidos ofícios para as requisições dos Juízes Militares do Conselho Especial.

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Sessão será realizada na modalidade presencial. No dia e horário designado, as partes deverão se apresentar presencialmente nas dependências do Plenário de Justiça Militar na Comarca da Capital, sob pena de revelia. Foram intimadas a ré, 1º Tenente do Corpo de Bombeiros, Izadora Ledur, e a testemunha Marcizio Oliveira Moraes.

Consta dos autos que, no início do ano de 2016, entre os meses de janeiro e fevereiro, durante o treinamento de salvamento aquático em ambiente natural do 15º Curso de Formação de Soldado do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Mato Grosso, realizado na Lagoa Trevisan, Ledur submeteu o aluno Maurício Júnior dos Santos, que estava sob sua autoridade, a intenso sofrimento físico e mental, como forma de lhe aplicar castigo pessoal.
 
Apesar de apresentar bom condicionamento físico, bem como ter sido aprovado em todas as fases do concurso público para compor o quadro de servidores do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Mato Grosso, incluindo a etapa TAF (teste de aptidão física), Maurício demonstrou dificuldades na execução das atividades aquáticas, o que era visível a todos os alunos e instrutores 

Segundo ação, em uma dos dias de treinamento, após percorrer cerca de 40 metros, a vítima começou a sentir câimbras, sendo auxiliada por outros alunos, tendo, inclusive, recebido do uma boia ecológica.
 
Ocorre que, conforme o MP, já no meio do percurso, a denunciada determinou que os demais alunos seguissem com a travessia, deixando Maurício para trás. “A partir daí, como forma de aplicar castigo pessoal, a denunciada passou a torturar física e psicologicamente a vítima, quando, além de proferir palavras ofensivas, utilizando a corda da boia ecológica iniciou uma sessão de afogamentos, submergindo-a por diversas vezes”, diz trecho dos autos.
 
Ato contínuo, ainda conforme o MP, após alguns “caldos”, o ofendido já sem forças para emergir e respirar, segurou os braços de Ledur, implorando para que ela cessasse a atividade. A denunciada, por sua vez, além de a repreender gritando “Você está louco? Aluno encostando em oficial”, só interrompeu a sessão de afogamento quando a vítima perdeu a consciência.
 
Pouco tempo depois, o ofendido acordou desesperado, já nas margens da lagoa, momento em que veio a vomitar bastante água. “Se não bastasse, mesmo a vítima apresentando esgotamento físico e mental, a denunciada exigia, aos gritos, que Maurício retornasse para a água”. A vítima desmaiou novamente, sendo necessário seu encaminhamento à Policlínica do Coxipó.
 
Caso Rodrigo Claro
 
É o segundo processo aberto contra Ledur. Em decisão do dia 23 de setembro de 2021, por maioria, a Justiça Militar livrou a tenente bombeiro da acusação de tortura e morte do aluno Rodrigo Claro.

O crime foi desclassificado para maus-tratos, com pena privativa de liberdade estabelecida em um ano, a ser cumprida em regime inicial aberto, sem a perda da função.
 
A Justiça Militar já declarou extinta a punibilidade de Ledur na ação sobre o Aluno Rodrigo Claro.
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