A a juíza Monica Catarina Perri Siqueira, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, declarou suspeição para atuar na ação penal contra Alex Roberto de Queiroz Silva, apontado como executor do assassinato do advogado Renato Gomes Nery. A magistrada alegou “motivo de foro íntimo” para se afastar do caso e determinou a remessa dos autos ao seu substituto legal.
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Na decisão, a juíza ressaltou que o processo é conexo a outra ação em que ela já havia se declarado suspeita, envolvendo o policial militar Heron Teixeira Pena Vieira, também investigado pelo crime. “Considerando que se trata de processo conexo, nos termos do artigo 99 do CPP, declaro a minha suspeição para atuar neste processo, por motivo de foro íntimo”, registrou.
A magistrada também determinou a comunicação formal à Corregedoria-Geral da Justiça, conforme previsto nas normas internas do Judiciário, e ordenou o encaminhamento imediato dos autos ao juiz substituto. A suspeição por foro íntimo não exige detalhamento das razões do afastamento.
Alex Roberto responde a ação penal movida pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) por homicídio triplamente qualificado, organização criminosa, fraude processual e abuso de autoridade, todos em concurso de pessoas. Ele é acusado de executar o advogado Renato Nery, morto a tiros em 5 de julho de 2024, em frente ao seu escritório, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá.
Segundo as investigações, o crime teria sido motivado por disputas judiciais de terras no município de Novo São Joaquim (a cerca de 480 km da capital). Alex Roberto teria sido contratado por R$ 200 mil para cometer o homicídio. Além da execução, ele também é acusado de tentar obstruir as investigações, incluindo a destruição de provas e a troca frequente de aparelhos celulares.
O caso será julgado pelo Tribunal do Júri após decisão unânime da Terceira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça (TJMT), que restabeleceu as acusações de fraude processual e abuso de autoridade. O colegiado entendeu que, nesta fase processual, cabe aos jurados analisar o mérito das imputações, inclusive os crimes conexos ao homicídio.
De acordo com a denúncia, Alex teria queimado roupas e o capacete utilizados no crime, além de, supostamente, atuar em conjunto com policiais militares para forjar uma situação que desviasse o foco da investigação. O corréu Heron Teixeira Pena Vieira responde em processo separado, também já marcado por decisão de suspeição da mesma magistrada.