O juiz Marcelo Sousa Melo Bento de Resende, da 2ª Vara Criminal de Barra do Garças, decretou a prisão preventiva de Vinícius de Moraes Sousa, dono de uma empresa de gado que integrou o desvio de R$ 10 milhões da Bom Futuro. Ele passou por audiência de custódia nesta sexta (14) e teve o flagrante convertido em detenção cautelar. Seu comparsa, o encarregado de logística da empresa, Welliton Dantas, segue preso e ainda não passou pela custódia.
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Conforme informações da Polícia Civil, o empresário, de 29 anos, foi preso em casa. A empresa Sousa Transportes realiza o transporte de bovinos e seria ela a empresa que recebia os valores pagos pelos vai e vem do gado da Bom Futuro. Acontece que ele e Welliton constituíram outra pessoa física, a VS Transporte de Gado, cujo objetivo era confeccionar notas fiscais duplicadas para desviar o dinheiro.
Em entrevista ao Olhar Direto, o delegado Pablo Carneiro, que realizou a prisão do funcionário da Bom Futuro Welliton Dantas, comparsa do empresário, relatou que o esquema consistia na duplicação das notas fiscais de serviço, garantindo assim que o valor fosse pago a empresa de Vinicius.
Em seu interrogatório, Welliton Dantas confessou e detalhou à polícia como funcionava o esquema de fraude que operava havia aproximadamente dois anos.
O depoimento foi colhido pelo delegado Pablo Carneiro, da Delegacia de Estelionatos de Cuiabá, ainda nesta quinta-feira (13). Welliton confirmou que ambos combinavam a emissão fraudulenta de CTEs (Conhecimentos de Transporte Eletrônico) com base em notas internas de transporte do Bom Futuro — documentos que não exigem esse tipo de registro por se referirem a movimentações internas entre unidades da empresa.
Era por meio desta “brecha” que a dupla atuava: Vinícius, que também presta serviços de transportes legalmente ao “Gigante do Agro”, emitia o CTE indevidamente, como se tivesse executado algum transporte que, porém, não ocorrera, e o documento seguia para o setor em que Welliton trabalhava. Ele então liberava o pagamento no sistema, fazendo com que a Bom Futuro pagasse por fretes inexistentes. Basicamente duplicava as notas fiscais e as CTE em nome da empresa VS Transporte Bovinos, registrada em nome de Welliton.
Welliton afirmou que o esquema começou após conversas entre os dois e que a divisão dos valores era feita conforme a “demanda” mensal de cada um. Ele confessou que mantinha investimentos em renda fixa, na XP Investimentos, estimados em R$ 500 mil, além de ter adquirido veículos de alto padrão e imóveis nos últimos anos.
No período dos desvios, ele comprou um Creta e um Volvo 2025, além de ter adquirido um apartamento na planta e dois lotes em um condomínio na saída para Guia, região metropolitana de Cuiabá. Questionado sobre a origem desses bens, disse que parte veio de “intermediações” que realizava e que parte das aquisições foi financiada.
Welliton negou que outras pessoas participassem do esquema e afirmou que os demais funcionários da empresa não tinham conhecimento das fraudes. Disse estar arrependido e declarou que pretende responder pelo que fez.
O delegado também questionou operações realizadas nesta semana. Welliton confirmou ter liberado no sistema um pagamento de aproximadamente R$ 210 mil, parte referente ao esquema.
A prisão ocorreu após a própria Bom Futuro identificar inconsistências e acionar a polícia. Segundo cálculo preliminar apresentado ao interrogado, o prejuízo estimado supera R$ 10 milhões.