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Sexta-feira, 05 de dezembro de 2025

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TRANSFERIDOS PARA MATA GRANDE

Feminicídio tentado, assassinato de investigador e calúnia: os advogados acusados de tentar fugir da cadeia em VG

Foto: Reprodução

Feminicídio tentado, assassinato de investigador e calúnia: os advogados acusados de tentar fugir da cadeia em VG
O juiz Gabriel da Silveira Matos, da 2ª Vara Criminal de Várzea Grande, autorizou a transferência de três advogados que tentaram fugir do Centro de Ressocialização Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande, na madrugada desta quarta (5), a Sala de Estado Maior da Penitenciária da Mata Grande em Rondonópolis. Os que serão transferidos são Nauder Júnior Alves Andrade, de 30 anos, Pauly Ramiro Ferrari Dourado, 45 e Paulo Renato Ribeiro, 52. Fabio Monteiro, de 62 anos, é o único que permanecerá no Ahmenon.


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Nauder Júnior foi condenado a 10 anos de prisão, em regime fechado, pela tentativa de feminicídio que praticou contra a engenheira E.T.M, sua então namorada, em 2023. Em agosto daquele ano, após ela se recusar a manter relações sexuais, ele usou cocaína, a espancou usando uma barra de ferro e ainda passou sêmen em seu rosto. As agressões duraram toda madrugada e ela só não morreu porque conseguiu ajuda de vizinhos. Em julgamento ocorrido em 30 de junho, o Tribunal do Júri reconheceu que o advogado, de fato, tentou assassiná-la e, com isso, a juíza Mônica Perri definiu a pena e decretou sua prisão.

Fábio Monteiro possui escritório particular e renda de R$ 15 mil, segundo ele próprio alegou na audiência de custódia. Ele foi condenado a 22 anos de prisão elo homicídio qualificado do investigador de polícia Anézio Dias da Silva, executado em 2005, em São Paulo. Monteiro foi apontado como participante do crime, que envolveu outros réus e foi motivado por vingança e para garantir a impunidade de delitos anteriores. De acordo com a denúncia, o grupo arquitetou a execução de Anézio, cabendo a Tiago Mistrão a função de atirador, enquanto Monteiro teria dado apoio logístico, recebido a arma do crime e auxiliado na fuga.

Em setembro, o ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), negou conceder a Fábio prisão domiciliar. Em outubro, o juiz Geraldo Fidelis, da Vara de Execuções Penais de Cuiabá, também negou a domiciliar.

Pauly Ramiro Ferrari Dorado ostenta longa ficha criminal. Em junho, ele foi condenado em primeira instância por dirigir bêbado. Em 2022, capital, ele parou numa blitz da Lei Seca e foi constatado que ele havia ingerido bebida alcoólica, e que teria xingado os policiais que realizaram a abordagem. Foi sentenciado a seis meses e teve a CNH suspensa. Ele é velho conhecido das autoridades.

Foi alvo da polícia em abril, durante a Operação Patrono do Crime, que lhe acusa de ser peça-chave em facção criminosa, atuando além da defesa jurídica dos integrantes, inclusive facilitando ações delituosas da organização. A investigação, conduzida pela Delegacia de Apiacás, revelou que Pauly usava a própria função para repassar ordens entre membros da facção, consultar nomes de possíveis rivais, recuperar veículos roubados, negociar drogas e até vender armas de fogo.

Já em junho de 2023, Pauly também protagonizou outro episódio polêmico ao ser levado à delegacia de Lucas do Rio Verde (243 km de Cuiabá) por ameaçar um promotor de justiça durante uma sessão do Tribunal do Júri.

Segundo a Polícia Civil, o advogado também arquitetou um plano para que uma presidiária engravidasse e assim conseguisse prisão domiciliar, o que acabou negado pela Justiça. 

Paulo Renato Ribeiro é natural de Barra do Garças, atua como advogado autônomo e recebe cerca de R$ 2.000,00. Católico, está preso por injuria, calúnia e difamação.

O quarteto foi detido nesta quarta por policiais penais do Ahmenon, que frustraram uma tentativa de fuga. De acordo com documentos obtidos pela reportagem, os agentes encontraram na cela de um deles um buraco na parede e uma “corda Teresa” – feita no cárcere para auxiliar na evasão. Em interrogatório à Justiça, todos eles negaram a tentativa e alegaram que estavam dormindo quando foram acordados pelos agentes.

Eles passaram por custódia ainda ontem (5) e alegaram que foram revistados, nus, pelos policiais penais, que também teriam os agredido. Nauder apresentou uma ferida leve na perna, a qual será investigada.

Presentes na audiência, os advogados da Comissão de Prerrogativas da OAB/MT pediram que eles fossem transferidos para Sala de Estado Maior de Rondonópolis, alegando que correm risco de morte e novas agressões.

Examinando o caso, o juiz decidiu não homologar o flagrante, tampouco convertê-lo em prisão preventiva, conforme pretendia o Ministério Público, anotando que “a jurisprudência pátria é tranquila na compreensão de que não configura o crime de dano a lesão a bens públicos motivada por tentativa de fuga de presídio por ausência de dolo de dano [...] Anoto que a conduta em tese de tentativa de fuga, obviamente é totalmente reprovável, bem como qualquer dano dela decorrente. Entretanto, nem todo fato reprovável caracteriza crime”.
Desta forma, o juiz Gabriel da Silveira Matos decidiu pela transferência de Nauder, Pauly e Paulo à Sala de Estado Maior da Mata Grande, em Rondonópolis. Fábio Monteiro permanecerá no Ahmenon.
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