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Sexta-feira, 05 de dezembro de 2025

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LAVAGEM DE DINHEIRO

Gaeco quer inquérito suplementar contra clã Volpato e casal de advogados acusados de esquema de R$ 21 milhões no TJ

Foto: Reprodução

Gaeco quer inquérito suplementar contra clã Volpato e casal de advogados acusados de esquema de R$ 21 milhões no TJ
O chefe do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaceo), promotor de Justiça Adriano Roberto Alves, requereu à Justiça a instauração de inquérito suplementar, em apartado, para apurar possível prática de lavagem de dinheiro cometido por um núcleo alvo da Operação Sepulcro Caiado, deflagrada em julho contra desvio de R$ 21 milhões do Tribunal de Justiça (TJMT).


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Entraram na mira da solicitação o empresário e líder do grupo, João Gustavo Ricci Volpato, seu irmão e também empresário Augusto Volpato, a mãe deles, a historiadora Luiza Volpato, e o casal de advogados Wagner e Melissa Vasconcelos.

“Requeiro a instauração de inquérito suplementar para apurar devidamente o crime de lavagem de capitais, posto que não está devidamente delineada a conduta individual de cada um para esse delito. Dessa forma, há necessidade de inquérito suplementar para apurar devidamente essas condutas em face dos réus”, anotou Adriano.

No último dia 22, o chefe do Gaeco ofereceu denúncia contra os alvos da ofensiva. Além do núcleo já citado, também foram acusados por estelionato e peculato, os advogados Themis Lessa, Régis Poderoso de Souza, Rodrigo Marinho e João da Costa Neto, Denise Alonso e o servidor do TJMT Mauro Ferreira Filho.

Por outro lado, o órgão livrou Flávia de Oliveira Santos Volpato, Julia Maria Assis Asckar Volpato, Guilherme Porto Corral, Keyyly Gonçalves Martinez, Eva da Guia Magalhães e Cláudia Regina Dias de Amorim Del Barco Correa, por entender que, até o momento, não há evidências robustas para imputação formal de responsabilidade criminal.

João Gustavo Ricci Volpato é apontado como um dos líderes do grupo. Ele teria usado empresas sob seu controle, como a RV Empresa de Cobrança LTDA, para ajuizar execuções judiciais baseadas em dívidas inexistentes. Segundo investigações, os processos eram patrocinados pelo escritórioFrança & Moraes, de Wagner Vasconcelos de Moraes e sua sócia e esposa, Melissa França Praeiro. 

Atendendo a uma solicitação do deputado federal Emanuelzinho (MDB), vice-líder do governo na Câmara dos Deputados, e do ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, o governo federal nomeou João Gustavo Ricci Volpato para o cargo de Gerente Regional da Agência Nacional de Mineração (ANM) em Mato Grosso em abril deste ano.

Augusto teria movimentado grandes valores, aparece em planilhas do esquema, alegou desconhecimento. Wagner era o representante de João Gustavo em todos os processos fraudulentos, articulador das fraudes, captador de vítimas. Esposa de Wagner, Melissa era coautora em processos fraudulentos, assinava petições.

Themis Lessa representou vítimas em 10 processos sem autorização, todas negaram vínculo. Régis Poderoso representou empresas em 5 processos sem autorização, atuação dolosa. Ex-conselheiro da OAB-MT, Rodrigo Marinho representou sem autorização, cedeu token de acesso ao sistema.

João Miguel da Costa Neto informou quitação fraudulenta, tentou impedir denúncia, suspeita de evolução patrimonial. Denise Alonso cedeu certificado digital, alegou desconhecimento, bens suspeitos apreendidos. Servidor da Corte, Mauro é apontado como figura central na elaboração de planilhas falsas, bem como controlava processos e valores e tentou fugir durante operação.

A ofensiva foi deflagrada em julho após uma denúncia, de janeiro de 2025, informar que um homem descobriu R$ 17 mil bloqueados em sua conta devido a uma ação movida por Volpato. A vítima só devia R$ 17 mil, mas processos em seu nome somavam R$ 680 mil. O caso revelou uma rede com pelo menos 17 ações fraudulentas, que causaram prejuízo de R$ 11 milhões — valor que pode chegar a R$ 21 milhões. 
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