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Sexta-feira, 05 de dezembro de 2025

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OPERAÇÃO SISAMNES

Gonet cobra provas da PF em inquérito sobre gabinetes do STJ, aponta inconsistências em relatório da PF e pede prorrogação

Foto: Reprodução

Gonet cobra provas da PF em inquérito sobre gabinetes do STJ, aponta inconsistências em relatório da PF e pede prorrogação
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, cobrou que a Polícia Federal apresente provas concretas que sustentem as hipóteses criminais levantadas nas investigações relacionadas à Operação Sisamnes, e pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a prorrogação do inquérito que investiga suspeitas de venda e vazamento de decisões em gabinetes do Superior Tribunal de Justiça (STJ).


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Em manifestação enviada ao ministro Cristiano Zanin, relator do caso, Gonet apontou inconsistências no relatório da PF entregue em outubro, especialmente nas conclusões sobre mensagens codificadas e na suposta participação da Fource Consultoria, empresa citada como uma das investigadas

Segundo o procurador-geral, embora a PF tenha traçado um amplo panorama de possíveis irregularidades, não foram apresentados elementos de corroboração que confirmem as suspeitas.

“Embora o relatório trace um extenso panorama de fraudes comumente encontradas em processos envolvendo fraudes falimentares, não há referência a processos dessa espécie entre aqueles considerados suspeitos pela autoridade policial, o que suscita dúvidas quanto à existência de elementos que respaldem a via investigativa eleita. O mesmo pode ser dito em relação à Fource Consultoria/Participações”, afirmou o PGR.

Gonet destacou ainda a ausência de detalhamento sobre as análises de dados extraídos de celulares e de operações financeiras. Para ele, a falta de contextualização e de documentação técnica inviabiliza a verificação dos fatos descritos.

Apesar das falhas apontadas, o procurador recomendou que o relator autorize novo prazo para que a PF esclareça os pontos pendentes da investigação.

A Operação Sisamnes, deflagrada há um ano, apura um possível esquema de manipulação de decisões e vazamentos dentro do STJ. A Polícia Federal já identificou três servidores suspeitos de participação e pretende ampliar as investigações para identificar outros eventuais envolvidos. Os servidores são Daimler Alberto de Campos, ex-chefe de gabinete da ministra Isabel Gallotti; Márcio José Toledo Pinto, que também atuou com a ministra e outros integrantes da Corte, e foi exonerado após sindicância interna do STJ; e Rodrigo Falcão, ex-chefe de gabinete do ministro Og Fernandes.

Como desdobramento, o procurador também solicitou que sejam investigados os vazamentos seletivos de informações sigilosas que chegaram à imprensa, considerando que a divulgação parcial de trechos restritos pode comprometer o andamento das apurações.

Sisamnes já resultou, em Mato Grosso, na prisão do lobista Andreson Oliveira Gonçalves, acusado de ser o principal artiulador do esquema ao lado do advogado Roberto Zampieri, assassinado em dezembro de 2023 em Cuiabá, e cujo celular foi o estopim das investigações, bem como no afastamento dos desembargadores João Ferreira Filho e Sebastião de Moraes Filho, e do juiz Ivan Lúcio Amarante.
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