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Terça-feira, 23 de julho de 2024

Notícias | Criminal

MINERAÇÃO EM ARIPUANÃ

MP prorroga investigação sobre comércio ilegal de armas em garimpo de ex-sócio de secretário-executivo do MAPA

Foto: Reprodução

Luiz Alberto Madruga Vargas (esq) e Irajá Lacerda (dir) não são mais sócios

Luiz Alberto Madruga Vargas (esq) e Irajá Lacerda (dir) não são mais sócios

O Ministério Público do Estado (MPE) prorrogou por mais 120 dias o inquérito policial instaurado para apurar a transferência, ilegal, de armas dentro de um garimpo da empresa Emplan Mineração, em Aripuanã, cujo proprietário administrador é Luiz Alberto Madruga Vargas, ex-sócio do secretário-executivo do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), Irajá Lacerda. Procurado, Irajá informou ao Olhar Jurídico que dissolveu a sociedade que possuía com Vargas e negou qualquer envolvimento com o caso Segundo Irajá, ele apenas cede a sua fazenda para que a empresa promova o garimpo no local.

 
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Inquérito foi instaurado após a Polícia Militar prender em flagrante um homem que dirigia um Fiat Argo em alta velocidade, na região do garimpo, em junho de 2023. Os agentes fizeram buscas no veículo e, ao abordarem o condutor, encontraram uma sacola que continha uma espingarda calibre 12, da marca Boito, carregada com seis munições intactas e uma pistola calibre 9mm, marca Glock, com oito munições e adaptada com seletor de disparos de modo rajada (o que a torna de uso restrito).
 
O detido, porém, disse aos policiais que não tinha conhecimento sobre a sacola e informou que ela pertencia a Adelmir Pereira da Silva. Nas buscas realizadas na casa de Adelmir, os policiais encontraram mais munições intactas, o que levou à situação de posse ilegal de arma de fogo.
 
Adelmir, por sua vez, relatou à polícia que estava retirando o armamento do garimpo a pedido de Luiz Alberto Madruga Vargas, sócio da Emplan, pois no dia seguinte uma aeronave iria até Aripuanã para buscar as armas. Aldemir chegou a ser preso preventivamente, mas foi posto em liberdade em junho do ano passado.
 
O Ministério Público e a polícia realizaram diversas diligências para localizarem Luiz Alberto, contudo, até a data da prorrogação do inquérito, em abril deste ano, ele não havia sido localizado. O órgão ministerial precisa interroga-lo para eventual oferecimento de denúncia, porém, enquanto ele não for encontrado, a investigação deve continuar.
 
A polícia não conseguiu localizar o empresário em nenhum de seus endereços, físicos e jurídicos, em Cuiabá. Posteriormente, tomou ciência de que Madruga pode residir no município de Primavera do Leste. Com isso, o MP autorizou o prosseguimento do inquérito para que sejam finalizadas as diligências necessárias.

Outro lado

A reportagem entrou em contato com Irajá por conta do conhecido vínculo empresarial com Luiz Alberto Madruga Vargas. O secretário-executivo do Ministério da Agricultura e Pecuária disse que dissolveu o quadro societário da Emplan, negou ser sócio de Luiz e disse que apenas está "emprestando" a sua fazenda para que a empresa promova o garimpo no local. Em consulta na Receita Federal, no entanto, ele ainda aparece como sócio da Emplan.

“Na verdade, é o seguinte: eu tinha uma sociedade com o Vargas, que está encerrada, eu sou proprietário da fazenda e não do garimpo, onde a fazenda tem um comodato com a cooperativa que toca o garimpo. O funcionário que foi pego lá, não tem nada a ver comigo, nem com a empresa. Ele era funcionário do Luiz, não tem nada a ver com a empresa. Não tenho nada a ver com isso, inclusive quem pediu as providências foram a cooperativa e a gestão pelas armas ilegais na propriedade. Não tenho nada a ver com isso ai, e já tentaram me botar no meio disso, e agora com a prorrogação estão requentando isso de forma errada. Os fatos não são estes que estão na imprensa local. Não tenho nada a ver com isso, minha sociedade de fato, com a empresa, está encerrada há anos, inclusive com litígio judicial entre eu e ele. Ele é o administrador da empresa, eu sou proprietário da terra da fazenda. O dono do garimpo é a cooperativa. Estão contando um monstro que não tem nada a ver comigo”, disse Irajá à reportagem.

Por meio de nota encaminhada via sua assessoria, Irajá completou: "Referente a matérias veiculadas em sites jornalísticos citando o secretário-executivo do MAPA, Irajá Lacerda, vimos esclarecer que em nenhum momento o seu nome é mencionado no inquérito e que, inclusive, não possui mais sociedade de fato com o empresário Luiz Alberto Madruga Vargas, e sequer tem ligação com o funcionário indiciado citado nas reportagens. Ou seja, além de a sociedade não existir de fato há algum tempo, Irajá Lacerda nunca foi empregador do referido e a empresa da qual era sócio não possuía qualquer vínculo com o mesmo. Portanto, não há motivos para ser citado nas matérias divulgadas ou mesmo ter sua imagem veiculada associando-o a tais fatos, já que não tem qualquer relação com eles, razão pela qual rechaça tais acusações ou vinculação ao ocorrido". 

O empresário Luiz não foi localizado, mas o espaço segue aberto para seu posicionamento. 
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