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Quarta-feira, 17 de julho de 2024

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OPERAÇÃO HERMES

Alvos da Polícia Federal pretendiam comprar jatinho de R$ 7 milhões para transportar mercúrio do México para o Brasil

Foto: Reprodução

Alvos da Polícia Federal pretendiam comprar jatinho de R$ 7 milhões para transportar mercúrio do México para o Brasil
De acordo com inquérito da Polícia Federal, que resultou na Operação Hermes II, no último dia 8, organização criminosa responsável pelo comércio ilegal de mercúrio no país queria comprar um jatinho avaliado em R$ 7 milhões para transportar o elemento. Decisão que autorizou a operação foi da juíza Raquel Coelho Dal Rio Silveira, da Vara Federal de Campinas.


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De acordo com as investigações, a ideia de aquisição da aeronave particular era para facilitar o transporte do mercúrio, vindo do México para o Brasil.

Em conversa interceptada, a PF flagrou diálogo entre o ex-vereador de Cuiabá, apontado como líder do grupo, Arnoldo Veggi, o “Dodo Escobar” e Thiago Mendonça de Campos, conhecido como “Thiago Mídia”, pessoa identificada pela operação como pioneira no negócio ilegal.

“Cara, nós ir de avião não é muito caro não, uns 4 e meio, mas eu queria também arranjar um avião, pra mandar de avião, mas ninguém aceita. Ah, se tiver algum particular que peita. Se tiver, bora socar o pau, véio. Lá eu arranjo produto”, diz Dodo à Mídia.

A conversa sobre o avião continua e eles discutem sobre o peso do material, autonomia do avião, burocracia para trazer o mercúrio e outros detalhes da operação. Eles, então, começam a pesquisar o melhor modelo de avião executivo a ser comprado para trazer mercúrio ilegal do México, da Guatemala e da Bolívia.

Foi então que eles avaliaram a possibilidade de comprar o modelo Cessna Citation, por 1,5 milhão de dólares (R$ 7,3 milhões). De acordo com a Polícia Federal, apenas para quitar a aeronave, seria necessário introduzir no território brasileiro cerca de seis toneladas do produto.

“Dodo Escobar” apresenta cálculo informal à Thiago, apontando os custos que seriam necessários para pagar a aeronave e previu que, se desse certo, em menos de um ano estaria quitada.

“Vou fazer um cálculo rapidão para você ver como que esse negócio se paga rápido. Se a gente conseguir colocar 30 garrafas num voo, cara, nós vamos ter aí, tipo, vai chegar para nós lá, paga 25%. Se pagar R$ 100,00 o quilo, 100 dólar o quilo, vai pra 125. Tá dado. Aí o custo, num sei quanto que é o custo do voo, vamos chutar que o custo do voo é 10.000 dólar no máximo. Dá 500 dólares por garrafa, nem isso. 300 e poucos dólar por garrafa. Cara, olha a margem, você ter um produto pronto por 130 dólar. Eu não dou 1 ano para um avião desse estar pago”, disse Arnoldo.

Hermes II

A Polícia Federal e Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) deflagraram, na manhã do dia 8 de novembro, a Operação Hermes (Hg) II, com o objetivo de apurar e reprimir crimes contra o meio ambiente, especialmente por meio do comércio e uso ilegal de mercúrio, organização e associação criminosa, receptação, contrabando, falsidade documental e lavagem de dinheiro.

Os crimes em apuração estão relacionados ao contrabando e acobertamento de mercúrio, que tem por destino final o abastecimento de garimpos em áreas que compõem a Amazônia (Amazonas, Mato Grosso, Rondônia, Roraima e Pará).

A Operação Hermes (Hg) I, deflagrada em dezembro de 2022, foi a maior operação policial do país deflagrada para desarticulação de uso ilegal de mercúrio e iniciou-se a partir da investigação de uma empresa com sede em Paulínia, que utilizava criminosamente de suas atividades autorizadas para produzir créditos falsos de mercúrio em sistema do IBAMA.

A partir da análise de milhares de fontes bases (documentos e dispositivos eletrônicos), durante mais de dez meses, a Polícia Federal identificou uma extensa cadeia organizada de pessoas físicas e jurídicas envolvidas no esquema ilegal de comércio de mercúrio e ouro extraído de garimpos na Amazônia e retirou sete toneladas de créditos de mercúrio dos sistemas do IBAMA.
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