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Domingo, 14 de julho de 2024

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OPERAÇÃO HERMES

Pró-reitor do IFMT teria recebido R$ 600 mil do comércio ilegal de mercúrio após 'investir' em esquema

Foto: Reprodução

Pró-reitor do IFMT teria recebido R$ 600 mil do comércio ilegal de mercúrio após 'investir'  em esquema
A Polícia Federal (PF) apontou que o pró-reitor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFMT), Marcus Vinicius Taques Arruda, teria recebido R$ 630 mil das empresas vinculadas a Arnoldo Veggi, o Dodo Escobar, citado nas investigações como possível líder do grupo criminoso que promoveu o comércio ilegal de mercúrio no país. Além de Marcus, outros seis nomes são apontados como financiadores do esquema, dentre, eles um veterinário e um servidor da Caixa Econômica Federal.


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As investigações da Operação Hermes II, deflagrada nesta quarta-feira (8), apontam que o pró-reitor do IFMT teria remetido R$ 219.173,49 para Dodo Escobar, a empresa Quimar e Edgar Veggi, tendo recebido de volta R$ 630.710,30 das empresas de Arnoldo.

Isso porque, de acordo com a PF, Arnoldo era desorganizado devido à grande demanda financeira do grupo e, com isso, teve que buscar recursos de amigos e parentes próximos para manter o esquema.

 Além do servidor do IFMT, outros seis nomes aparecem como “auxiliares financiadores” do grupo. São eles: José Eduardo Miranda, Juliano Garruti de Oliveira, Edy Veggi Soares, Guilherme Motta Soares, Marcelo Coelho Miranda e Jeferson Dias Castedo.

José teria inserido $ 3.264.133,57, entre agosto e setembro de 2022, nas empresas do Grupo Veggi, via pagamento de boletos cujos excedentes eram às empresas ADMF, J. S. TORRES e QUIMAR.

Da análise feita pela PF, foi observado que os valores se integraram ao fluxo diário das empresas, destinado a pagamentos de títulos, boletos, tarifas, impostos e Pix de valor baixo.

As investigações esclareceram também que as operações bancárias de pagamento dos boletos foram efetivamente realizadas por José (pertencia a ele o CPF de quem efetivamente pagou os boletos), muito embora os sacados fossem pessoas, físicas e jurídicas, distintas, mas ligadas à investigação, com indícios de tentativa de se dissimular a verdadeira identidade do pagador desses documentos.

Diálogos interceptados de Arnoldo e Jeferson Dias Castedo, o Jefinho, apontam a possibilidade de que José seria um possível financiador das empresas laranjas usadas para o comércio de mercúrio, com indícios de lavagem de dinheiro cuja movimentação seria em torno de R$ 2 milhões.
 
De acordo com a PF, Juliano de Oliveira teria passado R$ 474 mil às contas de J. S. TORRES, QUIMAR e ADMF, de maneira fracionada, reforçando os indícios de que tais transações possam ter sido uma forma de dissimular ou ocultar a verdadeira origem dos recursos, em possível prática de lavagem de dinheiro.

Edy Veggi, pai de Edgar Veggi e tio de “Dodo Escobar”, supostamente financiava a compra do elemento químico, proveniente da Bolívia. Ele teria indicado conta corrente para compra de dólares, usando a imobiliária Paiaguás para engrenar e lavar o dinheiro obtido ilicitamente pela empresa Js S Torres e outras do Grupo Veggi.

Ele também seria o responsável por coordenar remessas de capital para o exterior e, depois, organizava a logística para receber estoques de mercúrio vindos do país vizinho.  

Veterinário, Guilherme Motta Soares seria financiador de Dodo. Ele teria “investido” R$ 674 mil no esquema e teria auxiliado o grupo com criptomoedas com objetivo de agilizar e baratear as transações ilegais.

Servidor da Caixa Econômica Federal desde 2011, Marcelo Coelho Miranda é indicado pela PF como responsável por repassar R$ 175 mil ao grupo e ter recebido R$ 372 das empresas vinculadas ao mesmo.

Jefinho seria importante braço operacional do esquema, cuja responsabilidade seria a contabilidade dos pagamentos e transferências relacionadas as empresas do grupo. Depois de atuar como “contador”, ele teria passado a investir na compra de mercúrio. Além disso, ele também seria incumbido de negociações, transporte e pagamentos.

Operação

A Polícia Federal e Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) deflagraram, na manhã desta quarta-feira, a Operação Hermes (Hg) II, com o objetivo de apurar e reprimir crimes contra o meio ambiente, especialmente por meio do comércio e uso ilegal de mercúrio, organização e associação criminosa, receptação, contrabando, falsidade documental e lavagem de dinheiro.

Os crimes em apuração estão relacionados ao contrabando e acobertamento de mercúrio, que tem por destino final o abastecimento de garimpos em áreas que compõem a Amazônia (Amazonas, Mato Grosso, Rondônia, Roraima e Pará).

A Operação Hermes (Hg) I, deflagrada em dezembro de 2022, foi a maior operação policial do país deflagrada para desarticulação de uso ilegal de mercúrio e iniciou-se a partir da investigação de uma empresa com sede em Paulínia, que utilizava criminosamente de suas atividades autorizadas para produzir créditos falsos de mercúrio em sistema do IBAMA.

A partir da análise de milhares de fontes bases (documentos e dispositivos eletrônicos), durante mais de dez meses, a Polícia Federal identificou uma extensa cadeia organizada de pessoas físicas e jurídicas envolvidas no esquema ilegal de comércio de mercúrio e ouro extraído de garimpos na Amazônia e retirou sete toneladas de créditos de mercúrio dos sistemas do IBAMA.
 
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