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Sábado, 05 de dezembro de 2020

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Justiça recebe denúncia de homicídio culposo contra pais de adolescente que matou Isabele

Da Redação - Vinicius Mendes

17 Nov 2020 - 09:14

Foto: Rogério Florentino/Olhar Direto

Justiça recebe denúncia de homicídio culposo contra pais de adolescente que matou Isabele
O juízo da 8ª Vara Criminal de Mato Grosso recebeu a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) contra Marcelo Martins Cestari e sua esposa Gaby Soares de Oliveira Cestari, pais da adolescente que matou Isabele Guimarães Ramos com um tiro no rosto. O MP os denunciou por homicídio culposo, entrega de arma de fogo a pessoa menor, fraude processual e corrupção de menores.
 
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A denúncia foi oferecida no último dia 6 de novembro pela  6ª Promotoria de Justiça Criminal de Cuiabá. Conforme consta no sistema de consulta processual do Poder Judiciário, a denúncia já foi recebida.
 
O promotor de Justiça Milton Pereira Merquiades havia requerido ainda, como medidas cautelares diversas da prisão, que seja determinado aos denunciados “que entreguem todas as armas de fogo e apetrechos de recarregamento de munição eventualmente existentes em seus poderes”, para que fiquem vinculados ao processo criminal; a suspensão imediata da autorização para a prática de tiros, caça e coleção de armas dos denunciados, com a consequente comunicação ao Comando do Exército Brasileiro; e a cassação definitiva dos respectivos registros de atiradores e colecionadores, caso a ação penal venha a ser julgada procedente.
 
Conforme narrou o promotor, no dia do crime, Marcelo fazia a manutenção das armas de fogo de seu acervo na sala da residência, onde se encontravam seis adolescentes. Além de permitir que os jovens manuseassem as armas, determinou à filha menor de idade que guardasse uma delas, sem tomar os cuidados necessários em relação à segurança.
 
Para o Merquiades, o denunciado Marcelo “criou o risco da ocorrência do resultado, pois é de senso comum que a posse de armas por pessoas menores acarreta grande probabilidade de acidentes ou até mesmo na sua utilização dolosa por questões fúteis, e dessa forma por determinação legal, tinha o dever de impedir o resultado”.
 
“Ao não tomar os cuidados necessários de vigilância e proteção, inerentes ao Poder Familiar, os denunciados, culposamente concorreram para que a menor desferisse um disparo de arma de fogo em face da vítima, causando-lhe a morte”, considerou o MP.
 
Ele citou ainda que os denunciados retiraram objetos da cena do crime, “com o fim de produzir efeito em processo penal futuro”. A equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) presenciou a denunciada Gaby recolhendo apetrechos de manutenção de arma de fogo e chegou a adverti-la a respeito da preservação do local do crime até a chegada da polícia técnica.
 
O denunciado Marcelo teria confrontado um dos integrantes da equipe dizendo que nada impediria a retirada daqueles objetos, sob a alegação de que o crime teria ocorrido em outro cômodo da casa.

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