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Quarta-feira, 03 de junho de 2020

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TJ não vê risco por Covid-19 e mantém prisão de homem que matou agrônoma com tiro

Da Redação - Vinicius Mendes

18 Mai 2020 - 10:14

Foto: Rogério Florentino /OD / Reprodução

TJ não vê risco por Covid-19 e mantém prisão de homem que matou agrônoma com tiro
A 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso negou, por unanimidade, um novo pedido de revogação de prisão feito pela defesa de Jackson Furlan, de 29 anos, acusado de matar a engenheira agrônoma Júlia Barbosa de Souza, 28 anos, no dia 9 de novembro, com um tiro na nuca, quando ela estava dentro da caminhonete do namorado, em Sorriso (a 420 km de Cuiabá). A defesa alegou risco de contaminação por Covid-19, mas o TJ rejeitou a tese.

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A decisão foi proferida em sessão online. A defesa argumentou que Jackson está preso desde 10 de novembro de 2019 pelo assassinato de Júlia e que até hoje não foi designada audiência de instrução e julgamento, havendo, portanto, excesso de prazo. Também defendeu que o réu tem ficha criminal limpa e pediu que seja posto em liberdade, com aplicação de medidas cautelares, tendo em vista o risco de contágio pelo coronavírus.

O Ministério Público de Mato Grosso se manifestou pela denegação da ordem. Argumentou que pelo estado de calamidade que foi decretado por causa da Covid-19 não há o que se falar em excesso de prazo. Além disso, citou que Jackson tem 29 anos, não se encontra em nenhum grupo de risco e na rua o perigo de contaminação seria maior.

O relator, desembargador Juvenal Pereira, disse que Jackson é uma pessao extremamente perigosa, pois fez de uma simples discussão o motivo para um homicídio. Além disso, citou que a própria esposa do réu disse que ele tem personalidade explosiva e violenta.

Com relação ao risco por Covid-19, o magistrado argumentou que, na prisão, Jackson já está em uma espécie de quarentena forçada, em isolamento, bastando que a administração da unidade tome os cuidados e medidas que impeçam entrada de pessoas contaminadas.

Além disso, o desembargador disse que a prisão domiciliar "flerta" com a impunidade e que Jackson foragiu após cometer o crime, o que demonstra que qualquer medida cautelar será incapaz e insuficiente de gerar ordem pública. Ele votou pela manutenção da prisão e foi seguido pelos desembargadores Gilberto Giraldelli e Rondon Bassil.

O caso
 
Segundo a Polícia Civil, Júlia e o namorado saíram de uma conveniência, na Avenida Natalino João Brescansin, por volta da 01h40 da manhã do dia 9. Eles passaram a ser perseguidos depois de ultrapassarem um desconhecido, Jackson Furlan, em uma caminhonete branca. O motorista buzinava o tempo todo para que o namorado de Júlia parasse.
 
Entretanto, o casal seguiu, quando na Avenida Brasil, perto do Hospital 13 de Maio, o suspeito deu um tiro que acertou a nuca da vítima. Júlia foi levada para o hospital, porém não resistiu aos ferimentos e foi a óbito. Após efetuar o disparo, o suspeito fugiu sentido a rodovia MT-242. Ele foi preso horas depois.

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