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Quinta-feira, 09 de abril de 2020

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Cheques sem fundos de Wanderley da Trimec forçaram empréstimo supostamente criminoso

Da Redação - Arthur Santos da Silva

26 Nov 2019 - 14:00

Foto: Reprodução

Wanderley Facheti Torres

Wanderley Facheti Torres

Denúncia formulada pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPE) aponta que a participação do empresário Ricardo Padilla de Borbon Neves em esquema para pagamento de mensalinho na Assembleia Legislativa (ALMT) se deu somente após um outro empresário ter falhado na empreitada criminosa.

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Conforme os autos, 17 deputados estaduais cobraram um “13º mensalinho” como condição de aprovação das matérias de interesse do Poder Executivo, então gerido por Silval Barbosa. A solicitação de mensalinho se deu por meio de comissão formada pelos então deputados José Domingos Fraga, Wagner Ramos, Mauro Savi e Baiano Filho.

Ante a exigência, o ex-governador pediu emprestado a Wanderley Facheti Torres, proprietário da empresa Trimec, 17 cheques, no valor de R$110 mil cada. A informação, segundo o MPE, foi confirmada pelo empresário.
 
Os 17 cheques foram entregues a Sérgio Ricardo de Almeida, então deputado estadual, o qual ficou encarregado de repassar aos demais parlamentares. Porém, antes da compensação, as cártulas começaram a ser devolvidas por insuficiência de fundos ou sustação.
 
A falha de Wanderley explica a participação de  Ricardo Padilla. Para contornar o primeiro erro, Sérgio Ricardo emprestou R$ 2,5 milhões junto ao empresário conhecido por atuar no ramo de fomento mercantil. A transferência se deu por meio da empresa Aval Securitizadora.
 
Para quitar a dívida com a Aval Securitizadora, o grupo criminoso teria montado esquema na concessão de incentivo fiscal. No ano de 2012, o ex-secretário de Casa Civil, Pedro Nadaf, recebeu a incumbência de encontrar empresa interessada na obtenção de incentivos fiscais capaz de aceitar pagar um retorno de R$ 2,5 milhões.

O incentivo fiscal foi concedido ao frigorífico Superfrigo, propriedade de Ciro Zanchet Miotto. O retorno dos R$ 2,5 milhões pagou o empréstimo de Ricardo Padilla. Com a concessão do incentivo fiscal em troca de propina, a Superfrigo deixou de recolher erário estadual o valor de R$ 37 milhões.

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