Olhar Jurídico

Terça-feira, 15 de outubro de 2019

Notícias / Civil

Hospital Femina é condenado a pagar R$ 100 mil por erro em parto que gerou danos irreparáveis

Da Redação - Arthur Santos da Silva

18 Set 2019 - 15:03

Foto: Rogério Florentino Pereira/Olhar Direto

Hospital Femina é condenado a pagar R$ 100 mil por erro em parto que gerou danos irreparáveis
A juíza Vandymara Galvão Ramos Paiva Zanolo, da Quarta Vara Cível de Cuiabá, condenou solidariamente o hospital Femina e o médico R.B.S.C. ao pagamento de R$ 100 mil como forma de indenização por erro no parto de uma criança. Mãe e filho receberão R$ 50 mil cada.

Leia também 
TJ solta mais dois acusados de envolvimento com esquema de jogo do bicho

 
O hospital também deve pagar pensão estabelecida em três salários mínimos até a vítima (criança) completar 70 anos. Decisão foi publicada no Diário de Justiça desta quarta-feira (18). Ainda cabe recurso sobre a sentença.
 
A mãe da criança nascida em 10 de março de 2006 alegou no processo que o pré-natal e o parto foram realizados sob os cuidados do médico requerido R.B.S.C., prestador de serviços junto ao hospital Femina.
 
A gravidez transcorria normalmente, até que no dia três de março de 2006 houve uma queda frontal, com a vítima batendo a barriga no chão. Após o tombo, a matriarca foi ao pronto atendimento da Femina, comunicando o ocorrido ao seu médico, o qual não se preocupou com a situação.
 
Contudo, após a queda, a mãe não sentiu mais os movimentos do bebê, razão pela qual no dia  nove daquele mês procurou novamente o médico. Ao examiná-la, o profissional constatou dilatação e presença de sangue na saída vaginal, o qual teria afirmado se tratar de situação normal.

A grávida se dirigiu ao Hospital Femina no dia 10, pela madrugada, sentindo fortes contrações. No início do atendimento, recebeu a informação de que apresentava todas as condições para um parto normal, diante da dilatação total, ocorrendo o nascimento.
 
A matriarca não ouviu o choro do bebê, e só soube horas depois que houve ruptura de uma artéria pela passagem do feto, o que causou hemorragia, recebendo, inclusive, duas bolsas de sangue. Na ocasião, também foi informada que o recém-nascido estava na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Somente dois dias depois do parto, a mãe viu o filho, constatando que se tratava de uma criança grande, ao contrário do que o médico lhe informara no pré-natal. Observou que o bebê apresentava rouxidão ao redor do olho esquerdo, marca de afundamento no rosto e na cabeça, além de ser uma criança “mole”, que não apresentava firmeza nos movimentos.

Nos cinco dias após o parto, em que a paciente permaneceu internada, ouviu comentários dos outros médicos que o seu filho tinha lesão no cérebro, motivada pelos procedimentos adotados no parto. A criança foi diagnosticada com “encefalopatia crônica não progressiva, tetraparético, espástico, comprometimento osteomuscular e respiratório”.

Em sua decisão, levando em conta laudos perícias, a magistrada afirmou ser “indubitável a negligência do médico requerido no parto da autora, diante de todo o contexto gestacional”.
 
Sobre o hospital, Vandymara destacou que a mãe não teve atendimento adequado em seu pós-operatório, pois não recebeu informação adequada das reais condições do seu filho, bem como só o viu dois dias depois do parto.
 
A condenação de forma solidária ainda determina o pagamento de futuras despesas hospitalares que não fazem parte do plano de saúde da vítima.
 
Outro lado
 
O hospital enviou a seguinte nota ao Olhar Jurídico:
 
O Hospital e Maternidade Femina vem por meio desta nota informar que ainda não foi intimado da decisão em questão. Assim que intimada, a Femina tomará as devidas providências para a interposição do recurso.

9 comentários

AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Olhar Jurídico. É vedada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O site Olhar Jurídico poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.

  • Francisneia Tavares
    21 Set 2019 às 20:31

    Tive minha filha na Femina. Fuii super bem atendida. Paguei particular pra fazer minha cesariana. E depois de 8 mes Fiz mimha Laqueadura.. Das duas vezes q voltei lá fui super bem atedendida. Minha bebe quando nasceu ja tinha 2 pediatra esperando por ela. Meu G.O Dr Laerte tava Atento a todo momento. Super Antecioso. Ñ tenho que reclamar.. Depois q fui pro Apartamento do hospital as enfermagem ñ ia com frequência tinha q ta chamando i elas achava ruim pq tinhad umas q só queria fica no cecular. Uma delas foi até onde eu tava e disse fala oq vc quer.. Eu falei pra ela seu serviço è cuida das pessoas ñ do cecular... Por tanto vc trata as pessoas bem...

  • Estefânia Marques
    20 Set 2019 às 10:04

    A falta de educação e civilidade, Lo Ruama Priscila, é geral, não somente em hospital. As pessoas estão muito mal educadas e egoistas. Faça sua parte, e esqueça reciprocidade.

  • Lo-Ruama Priscila
    19 Set 2019 às 17:17

    Também estou indignada, porém com o #hospitaldocâncer. Sempre defendi o hospital pois meu avô se tratou lá, mas comigo foi horrível. Fui hoje de manhã fazer uma endoscopia particular em uma clínica que tem dentro do hospital e fui muito mal tratada, saí de lá sem fazer a endoscopia e peguei meu dinheiro de volta porque eu não sou animal pra aceitar mal tratamento, aliás nem animal não merece ser mal tratado, devem ser bem tratados nos veterinários. Paguei para ser bem atendida, mas infelizmente quando eu já estava deitada para fazer o procedimento, um "ser humano" sem humanidade começou a falar bruto comigo, espirrou um remédio na minha garganta de qualquer jeito espirrando no meu rosto, puxou meu braço com força, queria aplicar a sedação com pressa e na mão, e eu já havia pedido que queria no braço pois na mão dói muito, fiquei com ânsia de vômito após ele me dar um remédio, pedi pra sentar, sentei, ele me forçou deitar, até que perdi a paciência e levantei da cama e falei que não faria mais, e me direcionei a recepção para pegar meu dinheiro de volta!??#Não_aViolênciaHospitalar #NãoAoMauAtendimento!??

  • palomares
    19 Set 2019 às 13:41

    só quem tem um filho especial sabe que esse valor nao paga nem 1% do que ja foi gasto desde a data de nascimento dessa crianca

  • Maria Auxiliadora
    19 Set 2019 às 08:18

    Vetado por conter expressões ofensivas e/ou impróprias, denúncias sem provas e/ou de cunho pessoal ou por atingir a imagem de terceiros. Queira por favor refazer seu comentário e reenviá-lo.

  • Processildo
    19 Set 2019 às 05:57

    Aqui nos EUA é assim : podem processar a vontade , as indenizações são milionárias , porém sabe o que aconteceu? Para algumas especialidades precisam ir à Europa para se tratar , pois nenhum médico mais quer atuar nestas áreas ! E o restante torno-se absurdamente cara , compensações de risco ... No Brasil este comportamento acabará com sus e atendimentos a convênios !

  • Alguém
    19 Set 2019 às 00:11

    2006 é isso mesmo? e estamos em 2019, ou seja, 13 após e só 100 mil? Absurdo.

  • Bacana
    18 Set 2019 às 23:11

    Ual.. minha Alana deveria fazer 14 anos em 25/10.... nesse mesmo hospital.. com essas mesmas iniciais de medico.. . .. Minha hostoria simplificada.. fez todo pre natal com esse medico, esposa passou mal e levamos ela hospital.. dizia que nao tava na hora de nascer e internou ela... quinta feira... passou sexta. Sabado.. ela internada pq nao tava na hr... no domingo reclamamos da esposa ir muitas vezes urinar.. segunda exame e ela tava sem liquido.. na correria fizeram o parto.. minha filha nasceu roxa... eu tinha 18 anos... minha filha faleceu dia seguinte .. o hospital nos colocou em muitos medicos.. todos atestando que eramos saudaveis e que nossa genetica era perfeita e que foi uma fatalidade...nada me trara Alana de volta.. e eu e esposa fomos ingenuos... e quem mais confiamos tentou encobrir a verdade.. ..e encobriu!!!!... Aceitamos como fatalidade...vivemos um ano de Ateu...ja se passaram 14 anos mas a memoria sempre é ativa.. principalmente quando vemos materia de uma crianca que em 2006 teve o mesmo caso que minha Alana em final de 2005.. . O que mais dòi . É que 2005 perdemos Alana e 2006 fez o mesmo erro.. No meu caso hospital e medico encobriu pra parecer que.foi por acaso...Pagamos o erro de nao ter informacao.. . Tivemos uma filha a 2 anos depois e cada uma

  • Celsiane Maia
    18 Set 2019 às 18:35

    A Justiça pesou a mão nesse caso. Daqui a pouco não haverão mais obstetras na praça, de tanto processo. Se a mesma situação fosse causada por uma doula, ela seria condenada a pagar essa mesma quantia? Claro que não. Pois aqui no Brasil é um peso, duas medidas.

Sitevip Internet