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Domingo, 15 de dezembro de 2019

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Empresa de autopeças é condenada por chamar funcionário de fraco, preguiçoso e safado

Da Redação - Arthur Santos da Silva

25 Mai 2019 - 16:50

Foto: Rogério Florentino Pereira/Olhar Direto

Empresa de autopeças é condenada por chamar funcionário de fraco, preguiçoso e safado
Revendedora de autopeças identificada como SK Automotive foi condenada em R$ 20 mil por assédio moral a um dos seus empregados após ficar comprovado abuso na cobrança de metas, com uso de ofensas e expressões de baixo calão pelo gerente da empresa.

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A condenação, dada pela 3ª Vara do Trabalho de Cuiabá, foi confirmada pela 2ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho de Mato Grosso (TRT/MT) ao julgar recurso por meio do qual a empresa requereu a reanálise do caso, pleiteando sua absolvição.

Ao procurar a Justiça do Trabalho, o ex-vendedor relatou a conduta de seu gerente, de frequente pressão psicológica, com xingamentos e humilhações presentes em frases como "você é um fraco, um sindicalista, um cuiabano preguiçoso", "reclamão", "safado", além de cantar uma paródia cuja letra dizia: "Cuiabá lugar melhor não há pena que o calor é de amargar e as pessoas não gostam de trabalhar só beber e comemorar". Ele também detalhou as ameaças e expressões, todas de cunho sexual, que o representante da empresa se utilizava para o caso da meta não ser atingida pelos vendedores.

Ao dar início à reanálise do caso, o desembargador Roberto Benatar, relator do recurso no Tribunal, lembrou que o assédio moral se caracteriza pelo tratamento arbitrário dispensado a um empregado ou a um grupo com o intuito de pressioná-lo a ponto de desestabilizá-lo emocionalmente.

Também conhecido por mobbing e bullying, essa prática se manifesta no ambiente de trabalho por meio de comportamento, sejam palavras ou gestos, que visam humilhar e constranger o empregado por não haver alcançado a meta de vendas. A repetição desse comportamento acaba por forçar o pedido de demissão e há registros que, em situações limites, podem culminar no suicídio da vítima do assédio.

No caso, pelo menos três testemunhas confirmaram que a cobrança de metas era ostensiva, estando presente em todos os lugares da empresa, inclusive na tampa do vaso sanitário. Também era abusiva, por conta dos xingamentos, gritos e humilhações aos vendedores, tendo confirmado os episódios com a “música” de cobrança de metas, com letra preconceituosa contra o povo cuiabano.

“Ora, ainda que o cumprimento de metas seja inerente à atividade de um vendedor, sua cobrança pelos superiores hierárquicos deve-se dar em termos razoáveis, não podendo humilhar e ofender os vendedores”, ressaltou o relator, ao concluir que houve abuso do poder diretivo da empregadora devido ao tratamento vexatório e humilhante no local de trabalho do vendedor.

Como consequência, manteve a determinação à empresa de arcar com a reparação indenizatória pelo dano moral, condenação que objetivou ainda desencorajar que atitudes semelhantes voltem a ocorrer.

A decisão foi acompanhada por unanimidade pelos demais membros da 2ª Turma do TRT/MT, que manteve ainda o mesmo valor determinado na sentença, fixado em 10 mil reais, levando em conta, entre outros, critérios de razoabilidade e julgados anteriores.

(Com informações da assessoria)

5 comentários

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  • DESEMPREGADO
    27 Mai 2019 às 16:03

    LAMENTÁVEL ISSO ACONTECER, O EMPREGADOR NÃO CONSEGUE FICAR EM TODAS AS LOJAS E NÃO ESPERA ESSE TIPO DE COISA DE UM GERENTE , AGORA RECEBE A CONTA

  • JHOY
    27 Mai 2019 às 15:58

    Comparo Cuiabá a uma grande fossa, que recebe as MERDAS do Brasil inteiro.

  • ROBSON CARVALHO
    27 Mai 2019 às 12:42

    Eu resolveria essa situação do jeito que homem resolve.

  • Emerson de DEUS
    27 Mai 2019 às 11:20

    Infelismente isso acontece muito em diversas empresa, graças a Deus hoje temos a midia para nos ajudar , pois isso tem que ser divulgado, pois muitas empresa fazem isso, massaca os funcionario, abusa do poder, fazem pressao psicológica com seus funcioario a titulo de atingir metas que as vezes são impossivel, uma vergonha isso, além disso uma pessoa vem de fora para falar mal de nossa cidade da nossa população que sempre acolheu pessoas de todos lugares , queremos que a justica olhen mais para o trabalhador não so olhen para os empresarios, muitos desses funcionario até adoece por essas pressão que sofrem em suas funcôes

  • Elaine
    26 Mai 2019 às 07:59

    A que ponto estamos chegando, quanta falta de respeito! A pessoa precisa da renda do trabalho para se sustentar aí o outro se aproveita da condição de chefe para o humilhar e ainda quer denegrir o povo cuiabano. Então volta pro lugar de onde você veio cara, ninguém te obriga a estar aqui, quanta ingratidão, pq é este próprio povo cuiabano que usa os seus serviços e sustenta esta empresa... você deveria no mínimo sentir vergonha!!!

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