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Caso Moinho: Advogada denuncia tentativa de obstrução de justiça e ameaça por homem que se diz intermediador

Da Redação - Isabela Mercuri

08 Ago 2017 - 17:26

Foto: Rogério Florentino Pereira / Olhar Direto

Padaria do Moinho

Padaria do Moinho

Após representar uma haitiana em uma ação no Ministério Público do Trabalho (MPT) contra a Padaria do Moinho, a advogada cuiabana Ana Affi denunciou ter sofrido ameaça velada, tentativa de extorsão e tentativa de obstrução de justiça por um homem que se apresentou como intermediador e disse falar em nome do proprietário da empresa. A advogada gravou toda a conversa e denunciou o caso ao Ministério Público do Trabalho, ao Ministério Público Federal e ao Tribunal Regional do Trabalho.

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Olhar Jurídico teve acesso à denúncia e ao áudio, de cerca de 48 minutos, em que um homem, identificado como Juliano Jorge Boraczynski, chega para conversar com a advogada e afirma que está ali a pedido de Anésio Agnaldo Rodrigues Kokura, proprietário da Padaria do Moinho. No áudio, é possível ouvi-lo dizer que foi ‘prejudicado com o negócio do Olhar Direto’, referindo-se à matéria publicada pelo Olhar Jurídico no último dia 24 de junho (veja AQUI), e que o proprietário está disposto a fazer de tudo para que ela deixe o caso, “nem que gaste um milhão de reais”.

Juliano foi contatado pela reportagem e admitiu a conversa, afirmou que é amigo de infância de Anésio, mas que o mesmo não lhe pediu que fosse falar com Ana. “Eu fui conversar com ela sim, mas porque conheço os dois e queria apaziguar a situação. Mas eu não fiz ameaça nenhuma, ela está agindo de má fé ao dizer isso, e se está dizendo, terá que provar na justiça”.

A conversa faz referência ao caso divulgado pelo Olhar Jurídico, em que a haitiana denunciou a Padaria, empresa em que trabalhou por sete meses como atendente de caixa, por coação moral, injúria racial, assédio moral no trabalho e situação de trabalho análoga à escravidão.

No áudio que consta como prova da ameaça, Juliano ainda diz que o proprietário da padaria possuiria um vídeo ‘constrangedor’ de Ana Affi, em que ela pede R$ 6 mil ao empresário, e que se ela não aceitasse fazer o acordo, ele jogaria o tal vídeo na internet.

“O cara lá [Anésio] está com sangue nos olhos”, chega a dizer o intermediador. Ana responde que não quer conversar com o proprietário e que não tem nada a dizer para ele.

Na denúncia, a advogada afirma que “áudio, vídeo e WhatsApp poderão ser utilizados como meio de prova em direito admitidas, bem como todas as câmeras de monitoramento do condomínio onde o Sr. Juliano pediu para ser recebido”. Ela ainda alega ter sofrido tentativa de coação, ameaça e qie foi acusada de extorsão.

Além disso, Ana afirma, na denúncia, que soube que no mesmo dia desta conversa com Juliano, que o suposto vídeo da conversa entre ela e Anésio (ao qual Juliano fez referência) teria sido passado para os haitianos que ainda trabalham na Padaria.  “Como se essa subscritora estivesse praticando extorsão para prejudicar os estrangeiros, denegrindo a imagem dessa profissional com palavras de baixíssimo calão, como ‘esta vagabunda’”, alega.

Entenda o caso

O Olhar Conceito publicou, no dia 10 de junho deste ano, uma matéria com a haitiana, contando sua história e falando sobre seu sonho de ser modelo. A reportagem foi publicada no sábado, e, na segunda-feira, quando voltou ao trabalho, ela foi demitida da Padaria do Moinho, onde há sete meses era operadora de caixa.

Depois de ser demitida, segundo ela, à princípio com justa causa, ela procurou a advogada Ana Affi para tentar reverter a demissão para ‘sem justa causa’, e também para denunciar os abusos que ela – e outros haitianos – sofriam no local.

No dia 24 de junho de 2017, então, o Olhar Jurídico publicou uma matéria falando sobre a denúncia que a haitiana fez ao Ministério Público do Trabalho (MPT). Dez dias depois, no dia 4 de julho, teria acontecido a conversa, à pedido de Juliano.

Outro lado

Procurado pela reportagem, o proprietário da padaria afirmou que desconhece que tenha havido uma conversa, e que não quer ser envolvido em ‘confusão’. 

19 comentários

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  • Rony
    14 Ago 2017 às 09:26

    Esses povo que defende a padaria não é mis um trabalhador assalariado nesse Brasil e sim os bumbum de yogurt criados na mordomia, só quem trabalhou em empresas no valor de salário mínimo sabe o quanto é explorado por mixaria que oferecem, coloca um de seus filhos ou netos pra trabalhar na padaria para que vocês possam saber oque realmente acontece por lá envez de Defender, e tem mais 1 coisa funcionários não colocam patrões na justiça atoa alguma coisa realmente aconteceu pra dar um repercussão de tamanha proporção

  • Thiago
    13 Ago 2017 às 09:46

    Essa padaria vira e meche está com escândalos nos jornais.. bem suja a reputação já!!

  • IssoÉbrasil
    09 Ago 2017 às 14:49

    Quanta hipocrisia em alguns comentários defendendo a tal padaria. Do que adianta gerar empregos e não tratar o funcionário com dignidade?!. A maioria das empresas só pensam nelas e pouco se importam com os funcionários. Se vcs que leram todas as matérias que o olhar direto fez e mesmo assim defende, só lamento por vcs, mentes pequenas! Poderiam ser vcs ou algum familiar, vamos pensar mais no próximo, que pela história do Brasil quem mais se prejudica são os pobres! Ela está certa em procurar os direitos. Boa sorte.

  • Bell
    09 Ago 2017 às 12:59

    Aceitem a sugestão do Frederico...Vaza!!!!!!!!!!!!!! Vão gerar emprego em algum país mais sério pra ver se terão as mordomias que vocês, empresários, têm por aqui...

  • Pedro Del Nery
    09 Ago 2017 às 12:23

    Claramente ao observar os comentários nessa página, notá-se a enorme união entre a alta sociedade, visando proteger empresários/amigos. Foi praticado o crime de racismo e mesmo assim condenam a advogada do caso, acusando-a de perseguição. Oras, façam-me o favor vocês que defendem essa padaria com tanto afinco, são da mesma laia, um estabelecimento que já é conhecido por seu mau atendimento e desrespeito com os clientes e se vê na razão por se considerar um estabelecimento classe A. Espero que sofram todas sanções possíveis e aos que a defendem, saibam que são da mesma laia hipócrita.

  • Sandra Moreira
    09 Ago 2017 às 12:15

    Vetado por conter expressões ofensivas e/ou impróprias, denúncias sem provas e/ou de cunho pessoal ou por atingir a imagem de terceiros. Queira por favor refazer seu comentário e reenviá-lo.

  • Antonio Carlos
    09 Ago 2017 às 12:02

    Isto está parecendo muito mais coisa de advogado trabalhista de porta de fórum tentado se aproveitar destes Haitianos para tirar uma grana do empresário.

  • Vitor Hugo
    09 Ago 2017 às 10:00

    Pra você ver como, às vezes, as pessoas erram na estratégia. Se ele tivesse gasto esse esforço todo em uma publicidade contra a xenofobia, espalhando cartazes ou propagandas, talvez, tivesse um resultado positivo. Agora terminou de melar o negócio.

  • Jacyra
    09 Ago 2017 às 09:01

    Quanta conversa fiada, a padaria não foi prejudicada por essa lorota, os clientes continuam satisfeitos, inclusive com os preços praticados (pois continuam voltando e comprando e comendo lá). Tudo isso tem o mau cheiro de tentativa de extorsão mesmo!

  • Juca Xavier
    09 Ago 2017 às 08:16

    Juliano Jorge Boraczynski, irmao do Dep Romualdo Jr. Só podia dar nisso

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