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Quinta-feira, 21 de março de 2019

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Lesco afirma que há fatos não elucidados na Grampolândia; promotor quer reinterrogatório

Da Redação - Vinicius Mendes

13 Mar 2019 - 14:04

Foto: Rogério Florentino Pereira/ Olhar Direto

Lesco afirma que há fatos não elucidados na Grampolândia; promotor quer reinterrogatório
O promotor Allan do Ó, da 13ª Promotoria de Justiça Criminal já emitiu parecer sobre o pedido do coronel da Polícia Militar, Evandro Lesco, envolvido no esquema de grampos ilegais em Mato Grosso, a “Grampolândia Pantaneira”. O militar requereu seu reinterrogatório alegando que há “elucidações outrora não trazidas à lume” e o Ministério Público não se opôs.
 
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A petição da defesa de Lesco foi protocolada na tarde desta terça-feira (12) e no mesmo dia foi enviada ao Ministério Público para que fosse emitido parecer. No pedido, Lesco afirma que seu reinterrogatório é necessário pois “há ponderações que merecem maiores esclarecimentos, além de elucidações outrora não trazidas à lume”.
 
O promotor Allan do Ó, que ofereceu a denúncia contra os militares envolvidos no caso, já na terça-feira (12) analisou o pedido do coronel Lesco e não se opôs ao reinterrogatório.
 
“Sem prescindíveis delongas, o Ministério Público não se opõe ao deferimento do pleito, até porque, encontra-se respaldado de forma subsidiária no art. 196, do Código de Processo Penal, se tratando o interrogatório, de um ato processual não preclusivo”, disse o promotor.
 
O pedido do coronel Lesco foi feito a apenas oito dias do início do julgamento da “Grampolândia”, que está marcado para os dias 20, 21 e 22 de março. O militar poderá será condenado pelo crime de realização de operação militar sem ordem superior, que prevê de três a cinco anos de reclusão.
 
O caso
 
A operação responsável por revelar o esquema de interceptações ilegais na PM chama-se "Esdras" e foi desencadeada em 27 de setembro de 2017, com base no depoimento prestado pelo tenente coronel da Policia Militar José Henrique Costa Soares, revelou um verdadeiro esquema criminoso para frear as investigações sobre interceptações ilegais e afastar o desembargador.
 
Conforme os autos, em depoimentos prestados por Soares, “descortinou-se um sórdido e inescrupuloso plano” no intuito de interferir nas investigações policiais e macular a reputação do desembargador Orlando Perri em todos os inquéritos instaurados.
 
Segundo o processo, Costa Soares foi convocado para atuar como escrivão no inquérito do caso grampos. Logo da convocação, a suposta organização criminosa teria buscado sua cooptação.
 
Seria tarefa do tenente coronel a juntada de informações sobre Perri para provocar a suspeição do magistrado. Vários militares teriam se envolvido no esquema, sendo os coronéis da Polícia Militar Zaqueu Barbosa, Evandro Lesco e Ronelson Barros, além do tenente coronel Januário Antônio Edwiges Batista e o cabo Gerson Luiz Ferreira Correa Junior.
 
Reportagem do programa "Fantástico", da Rede Globo, revelou na noite de 14 de maio que a Polícia Militar em Mato Grosso “grampeou” de maneira irregular uma lista de pessoas que não eram investigadas por crime.
 
Segundo a denúncia do MPE, foi Gerson quem fez à Justiça os pedidos de autorização para interceptação de números de telefones de políticos, advogados e jornalistas, grampeados no esquema.  A prática de gravação telefônica clandestina, de pessoas que não são acusadas de crime, é conhecida como “barriga de aluguel”. Acusado de ser o operador do esquema, o cabo Gerson, também ficou encarcerado por nove meses.

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